Professores explicam as possíveis raízes do negacionismo histórico do Holocausto

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Discursos de tom negacionista acerca de fatos histórico se tornaram cada vez mais presentes em pleno século XXI, um deles se volta exatamente para o Holocausto promovido pelo Terceiro Reich. Certos grupos da sociedade chegam a afirmar que tal fato ‘jamais existiu’.

Especificamente em relação ao Holocausto, explica a historiadora Anne Junqueira, o negacionismo histórico se fundou por volta da década de 1970, ano em que a ditadura militar estava em seu auge, inclusive com apoiadores entre a população. Anne acredita que essa visão está fundamentada no fortalecimento de grupos de direita no Ocidente.

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Michel Gherman, diretor do Instituto de relações entre Israel e Brasil explica que a raiz dessa descredibilidade histórica se assenta na discordância de grupos majoritários quanto à participação de minorias que ‘deturpam’ a sociedade, trazendo ‘desordem’ e ‘imoralidade’.

Professores explicam as possíveis raízes do negacionismo histórico do Holocausto

Negacionismo é ameaça à ciência histórica 

A velha e recente historiografia vem sendo ameaçada por um fenômeno que ganha mais notoriedade no últimos anos, o negacionismo histórico que reverbera entre grupos sociais que julgam que acontecimentos como o Holocausto, genocídios indígenas, inexistência do racismo, entre outros fatos controversos, e por isso ‘sem evidências’.

Daniel Gherman cita as insatisfações de grupos específicos, cujo são a maioria da sociedade, que apontam as minorias como os responsáveis pelo rompimento da harmonia tão desejada do passado. Para ele, essa noção parte da busca por reconhecimento que grupos excluídos procuram ter e que são enxergadas como uma ameaça ao status quo.

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O próprio antissemitismo disseminado durante a ascensão do partido nazista na Alemanha foi fruto de uma onda de insatisfação com a visibilidade de um grupo que estava conquistando espaços na sociedade. Como consequência, a Europa foi inundada por uma onda de discursos de ódio e conspiratórios contra os judeus, interpretação que já explica meio caminho das origens do negacionismo.

Teorias conspiratórias acusam os judeus de religiosos ‘imorais’

Segundo Michel a propagação de teorias conspiratórias como ‘religiosos imorais, ‘degenerados’ e ‘revolucionários’ reforçados pela propaganda nazista em reação aos judeus foram estopim para aprovação dos campos de concentração, aludidos a centros de ‘recuperação social’.

De repente, os judeus tornaram-se a causa de diversos problemas que o país enfrentava, apenas porque reivindicaram seu espaço na sociedade, declarou o diretor e professor.

Professores explicam as possíveis raízes do negacionismo histórico do Holocausto

Parte da população justifica a visão negacionista como revisionista, isso quer dizer que inferem através de outras fontes históricas argumentos contrários ao que se prega a história tradicional. 

De acordo com o professor Marcos Napolitano a revisão científica é importante para alcançarmos progressos, mas ela não deve ser empregada para negar evidências. O que acontece é um revisionismo amparado em bibliografia fortemente ideológicas, o que diminui a capacidade de novas interpretações históricas.

Negacionismo e expansão na era tecnológica 

Michel confia que a remoção de conteúdos desse tom devem ser mediados pelas redes sociais, onde estão encontrando mais espaço de mobilização. Além disso, as mídias em geral devem se mobilizar para disseminação de conteúdos em termos de educação histórica.

Outras ciências estão sendo vítimas dos negacionismo, como é o caso da medicina e ciências naturais, fato que levanta um amplo campo para investigação. No Brasil, a apologia ao nazismo é crime, mas o professor não acredita que a penalização do ato seja suficiente, afinal trata-se de um compromisso que deve ser combatido por todos.

Conclusão

Destacamos que muitas das declarações mencionadas aqui, são fruto de trabalhos desenvolvidos por alguns profissionais da área e é sempre bom observar que existem diversas linhas de pesquisa a respeito dos assuntos. Estudos recentes podem ser refutados em outros trabalhos.