Dia da Consciência Negra: conheça a história de 3 abolicionistas brasileiros

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Poucos são os que questionam a liderança e a importância da figura de Zumbi dos Palmares, o líder quilombola que realizou um movimento de grande resistência contra a escravidão no Brasil, apesar de pouco se saber de sua vida. Segundo datam os historiadores modernos, Zumbi foi capturado e morto em 20 de novembro de 1695.

A partir de 1995, 300 anos após a morte do líder negro o tributo do Dia da Consciência Negra foi instituído no país. Para além da figura heroica de Zumbi na luta pela emancipação dos escravos existiram personagens brasileiros que também marcaram a luta abolicionista.

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Entre as figuras chaves frequentemente são citados os nomes de Luís da Gama, André Rebouças e Maria dos Reis, cuja atuação foi posteriormente reconhecida como movimento importante de contribuição o que mais desembocou na liberdade dos negros escravizados.

Dia da Consciência Negra: conheça a história de 3 abolicionistas brasileiros
Fonte: (Reprodução/Internet)

Movimento abolicionista brasileiro

Apesar de pressões advindas da Inglaterra contra o regime escravocrata no Brasil pós independência, o movimento abolicionista só ganhou força a partir do final do século XIX. Foi nesse momento que diferentes grupos da sociedade passaram a atuar em defesa dos direitos dos negros escravizados, incluindo a sua libertação.

Antes disso, conquistas foram sendo somadas à luta que culminou na total abolição em 1988. Em 1871 e 1885 as leis denominadas de Ventre Livre e Sexagenários, davam liberdade aos filhos de escravos nascidos no país e alforriavam escravos com mais de 60 anos de idade após cumprimento de três anos de trabalhos como ‘recompensa’ da liberdade concedida.

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Com o declínio do Império e a força das lideranças abolicionistas contra a escravidão e os privilégios dos senhores de engenho, ademais da proibição do tráfico de negros africanos (Lei Eusébio de Queirós) em 1850 já não restava saída para manutenção da escravidão no Brasil, uma vez que toda a América já havia abolido o regime.

Luiz da Gama, o ex-escravo que lutou pela alforria negra

Luiz Gonzaga Pinto da Gama (1830-1882) de etnia afro-brasileira, nascido em Salvador, Bahia é um dos maiores abolicionistas da história brasileira, caracterizado como o patrono da abolição negra. Era filho de escrava liberta e pai branco de origem portuguesa. Foi feito escravo aos dez anos de idade e assim realizou trabalhos forçados até aos 17 anos.

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Fonte: (Reprodução/Internet)

Em sua trajetória conseguiu reunir provas de que por direito era livre, posto que sua mãe era alforriada, assim conseguiu a sua liberdade, que foi quando buscou alfabetizar-se, formando-se advocacia e atuando como jornalista e escritor.

Foi como jornalista que Luiz da Gama expôs a sua revolta contra o regime escravocrata no Brasil, criando uma seção para ironizá-lo. Como advogado conseguiu libertar centenas de escravos. Infelizmente morreu antes da declaração da Lei Áurea em 1888.

André Rebouças, o criador da sociedade contra a escravidão

André Pinto Rebouças (1838-1898) foi um notável engenheiro brasileiro que também atuou como jornalista e criador da Sociedade Brasileira Contra a Ecravidão. Rebouças era filho de mestiço e de escrava livre. Baiano e autodidata conhecia bem a cultura de outros países, inclusive às culturas do continente americano.

Atuando como abolicionista tinha uma visão politica voltada para o social, pois apesar do desejo pelo fim da escravidão, igualmente havia o temor pelas suas consequências diretas aos negros libertos, completamente ausentes de direitos e oportunidades.

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Fonte: (Reprodução/Internet)

Conheceu Luiz da Gama e Joaquim Nabuco e os ajudou na administração de manifestações e fundos para ajudar outras sociedade abolicionistas. Rebouças era um admirador de Dom Pedro II e quando a escravidão foi anunciada e notoriamente apontada como o prenúncio da República brasileira, ele procurou se refugir na Europa onde veio a falecer.

Maria dos Reis, a romancista abolicionista

Maria Firmina dos Reis (1822-1917) foi uma maranhense e uma das primeiras escritoras brasileiras a escrever obras de cunho abolicionista, cuja obra principal é intitulada “Úrsula” (1859). Semelhante a Luiz da Gama e Rebouças também era filha de escrava liberta.

Como professora tentou criar uma escola inclusiva, voltada para crianças mestiças, mas rapidamente o local foi fechado. Úrsula, a personagem que dá nome ao seu romance, é reconhecida como uma mulher ativa na causa contra à escravidão. Em sua formação chegou a compor um hino de abolição.

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Fonte: (Reprodução/Internet)

Em 1917, aos 95 anos morre pobre e cega sem nenhum reconhecimento em vida, só mais recentemente a figura de Maria dos Reis vem sendo agraciada como líder abolicionista e escritora digna dos cânones da literatura brasileira.