Conheça as “obras subversivas” que foram queimadas na era Vargas

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Durante o Estado Novo, mais especificamente no ano de 1937 uma ordem de Getúlio Vargas provocou a queima de mais de 1.800 livros na Praça Cayru em Salvador. Centenas de pessoas se aglomeravam com espanto ao tentar entender o motivo do ato.

Enquanto o céu escurecia da fuligem da queima das obras, a história brasileira ficava marcada pelo ato de censura do governo ditatorial de Vargas, que preconizava que os autores daqueles escritos ardendo em brasas eram “propagandistas da ameaça comunista”. 

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O autor brasileiro mais afetado pelo regime de Vargas foi o baiano Jorge Amado, um reconhecido integrante do partido comunista da sociedade literária da época. Em 1935 o que ficou conhecido como a Intentona Comunista, alertou ainda mais o governo varguista diante de qualquer nova tentativa de golpe ao estado brasileiro centralizado.

Conheça as “obras subversivas” que foram queimadas na era Vargas
Fonte: (Reprodução/Internet)

 

As controvérsias do Governo Vargas 

Muitos historiadores tendem a não compactuar com a noção de governo “populista” quando se tem em mente o período de 1937- 1946, quando Getúlio Vargas por meio de um golpe de Estado fez um pronunciamento comunicando ao povo brasileiro a necessidade de reajuste das esferas políticas nacionais.

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No decorrer de sua gestão, o líder instituiu uma par de decisões que tinham como meta consolidar o seu poder, tais como a centralização do Estado, propaganda pró-governo e censura. Esse controle das instituições e da imprensa caracterizou um arranjo de cunho fascista.

A denominação ‘Estado Novo’ tem origem no regime fascista de Antônio Francisco Salazar em Portugal, ao qual Vargas se inspirou. O documento constitucional de 1937 foi embasado na carta autoritária da Polônia. Como o governo se apoiava na propaganda patriótica qualquer ameaça ao status quo era veementemente reprimida.

Os diversos ‘Capitães de Areia’ censurados por Vargas

Uma das obras mais consagradas de Jorge Amado estava na pilha de livros incendiados em novembro de 1937. Capitães da Areia é um romance que conta a trajetória de garotos abandonados pela sociedade e que realizam crimes na cidade de Salvador na tentativa de sobrevivência.

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Fonte: (Reprodução/Internet)

Esses elementos de desigualdade social eram evidentes nos romances do escritor. Eram inseridas denúncias de lutas de classes e o descaso com o proletariado. O estopim da censura só foi agravado ainda mais com a sua participação em partidos de esquerda, por isso os seus livros foram o principal alvo da ditadura do Estado Novo (cerca de 90% dos livros queimados).

Mas a proibição de literatura ‘vermelha’ também fez mais vítimas como o também famoso Graciliano Ramos e os já rivais de longa data do regime Luís Carlos Prestes e sua parceira Olga Benário foram retidos em cárcere privado e o Partido Comunista (PCB) perseverava na clandestinidade.