Vala de Perus: conheça o cemitério clandestino da Ditadura Militar

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Descoberta há 30 anos, a Vala de Perus serviu de cemitério clandestino para enterrar o que a ditadura militar brasileira (1964-1985) intitulou ‘indigentes’ mas a qual os historiadores denominam local de ocultação de vítimas desaparecidas durante o período. 

Na região oeste de São Paulo onde fica localizado a Vala de Perus foram encontradas no ano de 1990 mais de mil ossadas identificadas em seguida como pertencentes aos perseguidos pelo regime brutal do golpe militar de 1964.

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A história do cemitério clandestino usado pela ditadura militar após 1970 foi contada em livro divulgado pelo Instituto Vladimir Herzog em colaboração com a Secretaria de Direitos Humanos de São Paulo.

Vala de Perus: conheça o cemitério clandestino da Ditadura Militar
Fonte: (Reprodução/Internet)

Conheça a história do cemitério clandestino onde foram localizadas as ossadas dos desaparecidos pela ditadura militar.

Vítimas desaparecidas são encontradas após ditadura militar

Em 1990, funcionários que trabalhavam no Cemitério Dom Bosco, próximo a Zona Oeste no estado de São Paulo, em atividade rotineira em espaço coberto de grama, localizaram após escavação diversas ossadas humanas contidas em sacos plásticos.

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Após a descoberta, o fato veio a ser noticiado nos principais veículos de imprensa na época e o cemitério recebeu visitas massivas de equipes de noticiários que buscavam levar informações precisas sobre o que não parecia ter explicações.

O Ministério Público Federal realizou análises de algumas ossadas transferidas e constatou que eram pertencentes a um grupo de pessoas enterradas sem registro. Ao total foram contabilizadas mais de 1.047 corpos.

Ossadas continham sinais de tortura e violência

Construído nos anos de 1970, a qual ficou conhecido historicamente como os ‘Anos de Chumbo’ da ditadura militar brasileira, as perseguições aos dissidentes do regime se fortaleceram, e no seu auge foi aprovado o Ato Institucional 5 (AI-5), ao qual concedia licenças para torturas e violências.

A cargo de agentes militares às torturas eram realizadas descontroladamente, com isso diversas vítimas desaparecem e outras foram sequestradas sem nenhum rastro. Como a tortura gratuita era ilegal em niveis de Direitos Humanos, os líderes militares criaram as valas para então enterrar os mortos assassinados pelo regime.

Vala de Perus: conheça o cemitério clandestino da Ditadura Militar
Fonte: (Reprodução/Internet)

Os corpos dos ‘indigentes’ conforme destacou os militares estavam marcados por traços de tortura evidente após análises. A Vala de Perus tornou-se um símbolo de indício acerca dos crimes cometidos durante a ditadura militar. Foto acima apresenta placa de memorial em homenagem às vítimas.

A Vala de Perus ganha biografia

Nos 30 anos da descoberta do local das ossadas, o Instituto Vladimir Herzog em conjunto com a Secretaria de Direitos Humanos de São Paulo organizaram livro biográfico que expõe em sua leitura a história por trás das vítimas.

Vladimir Herzog é um atualmente um dos personagens mais lembrados na história da resistência democrática pelo fim do regime militar. O jornalista e professor era militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e foi mais uma das vítimas assassinadas durante um dos capítulos mais sombrios da memória brasileira.