Relançamentos de Monteiro Lobato não terão racismo, segundo familiar do autor

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Cleo Monteiro Lobato, bisneta de Monteiro Lobato, afirmou recentemente que pretende excluir figuras e partes racistas das obras de seu bisavô a fim de tornar as produções menos polêmicas.

Cleo se tornou responsável adaptar os textos do autor brasileiro e em especial irá focar na obra “A Menina do Narizinho Arrebitado”, que se aproxima de completar cem anos de existência.

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A obra foi o meio utilizado para apresentar o universo Sítio do Picapau Amarelo para os brasileiros. Após diversas pautas com teor preconceituoso serem expostas, hoje em dia o livro se tornou palco para debates.

Relançamentos de Monteiro Lobato não terão racismo, segundo familiar do autor
Fonte: (Reprodução/Internet)

Racismo estrutural será retirado de obras literárias

Considerando o autor como um racista, muitos estudiosos, fãs, admiradores e críticos condenam frases e conceitos com forte viés racial. Por outro lado, algumas pessoas rebatem as ideias, pelas as obras estarem limitadas pelo contexto temporal.

Cleo espera fazer mudanças mais fundamentais para eliminar de uma vez por todas as partes que não são mais aceitas pelas pessoas. Nas adaptações anteriores, o texto original permaneceu inalterado, e apenas alguns detalhes foram reescritos, como o preâmbulo e os apêndices.

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Em entrevista à Folha de S. Paulo, a bisneta de Lobato disse que é necessário que as passagens problemáticas sejam reescritas a fim de as tornarem compatíveis com os valores sociais contemporâneos, mas ainda seguindo o estilo do autor brasileiro.

Domínio público permitiu que alterações fossem feitas

Os livros originais também continuarão disponíveis. Por serem de domínio público, essas mudanças poderão ser feitas. O objetivo primordial de Cleo é fazer com que esses trechos não precisem ser explicados cada vez que aparecem na história ao serem lidas para o público infantil.

“Corrigir” os clássicos não é uma atitude aprovada por todos

Monteiro Lobato não é o primeiro caso e dificilmente será o último artista que terá suas obras “corrigidas” após questões discriminatórias serem identificadas. Para alguns, a decisão pode ser invasiva demais.

No audiovisual, devido ao surgimento de trabalhos antigos em plataformas de streaming, alertas que refletem o pensamento mainstream de outra época se tornaram cada vez mais comuns.De acordo com Mário Augusto, docente universitário da Unicamp e autor de pesquisa na área, é importante compreender o contexto em que Lobato estava.

Para o pesquisador, a omissão desta parte da obra do autor não irá esconder suas experiências e lutas, e evidenciará sua visão durante o período preconceituoso. Augusto afirmou que em sua opinião valeria a pena fazer somente, alterações ortográficas no que dizem respeito à língua.

Relançamentos de Monteiro Lobato não terão racismo, segundo familiar do autor

Fonte: (Reprodução/Internet)

Autor é considerado um dos maiores nomes da literatura brasileira

Monteiro Lobato nasceu em São Paulo, em 1882, e atualmente é considerado um dos escritores de maior prestígio do Brasil, além de uma figura importante na divulgação da literatura infantil e da cultura do livro para a TV.

Em vida, criticou veementemente o Estado Novo. Sua última entrevista foi dada à Rádio Record, onde ele defendeu o movimento “O Petróleo é Nosso”; dois dias depois, em 4 de julho de 1848, morreu de espasmo cerebral, aos 66 anos.