Música e memória, por que nunca esquecemos determinadas canções?

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Desde o homem pré-histórico se têm indícios de que a música estava presente. Segundo acreditam alguns historiadores ela pode ter surgido pela percepção dos sons advindos da natureza. Há cerca de 3.000 a. C, nas primeiras civilizações da humanidade foram localizados os primeiros instrumentos musicais, como as famosas liras e harpas.

Entre os gregos a única forma de expressão da arte suprema estava na reprodução de poemas cantados, as odes. Dessa forma, a música passou a ser utilizada como meio de emocionar, mas igualmente como instrumento de herança cultural, afinal os saberes em tempos remotos eram cantados, devido à escassez de grafia.

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Com o passar dos séculos a música foi ganhando cada vez mais espaço dentro do universo científico, em razão de sua influência na memória humana, de ela ser de capaz evocar recordações e de provocar reações as mais diversas, e mesmo ajudar no tratamento de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer.

Música e memória, por que nunca esquecemos determinadas canções?
Fonte: (Reprodução/Internet)

O mundo criou a música para criar memórias

Uma das hipóteses para explicar o funcionamento das nossas memórias em relação à música é que desde os primórdios ela foi investida como um meio de criar laços entre o humano e a natureza das coisas. As canções não transmitem apenas frequências de sons ao ouvido humano, mas também significados dentro de suas características, como ritmo, tom, altura e intensidade.

Como a escrita não era utilizada pelos pré-históricos, o surgimento da música entre os humanos têm diferentes explicações, além da já citada, também se atribui ao fenômeno o canto das mães aos seus bebês, uma forma de acalmá-los quando precisavam ficar longe. 

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Atualmente quando observamos a forma como as mães se comunicam com os recém-nascidos e suas respostas cognitivas, podemos perceber como eles desenvolvem as primeiras memórias com a melodia.

Hoje os antropólogos reconhecem que a música é uma das nossas primeiras formas de vínculo social e durante toda a vida os diferentes sons que ouvimos são capazes de ativar diversas regiões cerebrais ao mesmo tempo, todas motivadas por melodias que fizeram parte de nossas experiências.

A “discoteca mental” onde muita coisa acontece

Robert Zatorre, músico e psicólogo canadense relata que ao ouvirmos uma música rapidamente os nossos neurônios ativam neurotransmissores envolvidos com a sensação de prazer, um deles é a dopamina que imediatamente nos deixa felizes. Dentro da “discoteca mental” milhares de eventos acontecem para que reconheçamos uma música do passado em suas primeiras notas.

A música de fato parece ser capaz de potencializar processos cognitivos, não só atrelados à memória, mas também a interpretação e concentração, sem falar do despertar de emoções e sentimentos. Pacientes com o Mal Alzheimer costumam relatar reminiscências ligadas a canções que marcaram momentos de suas vidas.

Música e memória, por que nunca esquecemos determinadas canções?
Fonte: (Reprodução/Internet)

A psicóloga Lucía Amoruso consegue delimitar várias regiões de memória episódica relacionadas com o papel de recordação que uma melodia pode ter sobre nós. São as memórias episódicas de momentos emotivos ao extremo, sendo por isso de alguma forma ‘inesquecíveis’.

Conexões externas e internas provocadas pela música

O fenômeno da repetição de uma música associado a um momento marcante da nossa história suscita a sua evocação em qualquer momento, o que não acontece com outras coisas que nos fazem sentir prazer, como o sono, a comida, por exemplo. Frequentemente recorremos à música também para não nos sentirmos muito solitários.

Não é possível ainda inferir que a música é a última coisa que esquecemos, quando se trata de doenças degenerativas da memória, mas que de fato ela tem poder em muitos tratamentos e tem sido utilizada como meio de nos mantermos mais conectados com nós mesmos.