Clarice Lispector é considerada a escritora mais citada na internet

Clarice Lispector é relembrada como uma estrela semelhante à Virgínia Woolf e James Joyce, por sua escrita permeada de fluxos de consciência, subentendidos e individualidade artística. A escritora já chegou a escrever um romance iniciando com vírgula e terminando com dois pontos.

Em 1920, no dia 10 de dezembro a escritora completaria 100 anos. No entanto, apesar disso deixou obras que ainda a mantém como uma das autoras mais citadas na internet. Professores pensam que na trajetória da escritora, a mesma trabalhava sob os signos da fascinação e paradoxos.

Segundo a professora de literatura Emilia Amaral, a escritora era adorada por muitos, eleita como base para várias tendências críticas. Bastante citada, Clarice era uma pessoa considerada hermética.

Personagens de Lispector em constante busca de transcendência

Clarice Lispector nasceu em Chechelnyk, na Ucrânia, e foi nomeada como Chaya Pinkhasovna Lispector. Seus pais chegaram ao Brasil ainda quando Clarice era um bebê, em 1922.

Sua família veio ao Brasil com o objetivo de fugir da perseguição aos judeus depois da Revolução Russa de 1917. A família Lispector chegou inicialmente em Maceió, mas após um tempo mudaram-se definitivamente para o Rio de Janeiro, em 1935.

De acordo com a escritora do livro “Para amar Clarice - Como descobrir a apreciar os aspectos inovadores de sua obra”, Emilia Amaral, o que se destaca nas obras de Clarice é a interioridade das personagens, como movimentos de alienação e a constante busca de transcendência.

"O que me interessa realmente na Clarice é o questionamento que ela faz da linguagem, de seus limites, de sua incapacidade de expressar a vivência humana. [...] ela rompe realmente com a estrutura dos gêneros literários", explica a professora. 

Literatura clariceana causa estranheza nos leitores

Para a professora, a palavra “clariceana” se dá por coisas que ela representa, a palavra dá sentido às coisas que estão sendo escritas por entrelinhas, igual à escrita da artista. A literatura de “clariceana” utiliza uma literatura metalinguística.

Já para o coordenador do Programa de Pós-Graduação da UFRG, Antônio Vieira Sanseverino, Clarice preza uma visão voltada para si, experiências do interior, e acaba refletindo-as em suas personagens.

Portanto, as obras se indagam enquanto se realizam, conquistando os leitores tanto pelo processo da escrita quanto pelo produto. Veja abaixo a primeira parte de uma entrevista com Lispector, em que a autora explica um pouco sobre como produz os seus textos.

"Tal experiência interior, radicalmente posta, é desagregadora, pois revela a estranheza de cada um, aquilo que não corresponde aos papéis sociais vividos na rotina”, explica o professor.

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